terça-feira, 18 de outubro de 2016


Douglas Sant’ Anna da Cunha Tecnólogo em Logística www.wix.com/santannacunha/clhn





LOGÍSTICA HUMANITÁRIA

Metodologia e desenvolvimento


                                                                                     Em Resende, 11 de março de 2016.




Gravata


Logística é um dos componentes mais complexos da assistência humanitária, integrando conhecimentos militares de intendência e a cadeia de abastecimento da área empresarial. Todas as atividades relacionadas à assistência e apoio as vítimas por desastres, tanto nos atendimentos de socorro, quanto na estocagem e distribuição de donativos, precisam ser gerenciadas de forma eficiente. Cabe à Logística a responsabilidade de planejar estratégias para agilizar e otimizar o processo de ajuda humanitária afim de minimizar os danos e proporcionar meios para o recomeço de forma íntegra e justa.

Introdução.


Ao longo da história muitas definições foram dadas a logística, entretanto, dada a sua abrangência  tentar descrevê-la em uma única forma, não seria possível. Na maior parte das pesquisas, seus autores afirmam que o significado desta palavra, provém do antigo substantivo   latino   logisticus,   utilizado   para   designar   os   técnicos   das   finanças, controladores, contabilistas, intendentes do exército romano ou bizantino encarregados de efetuar o pagamento às tropas. Porém, outros autores afirmam que sua origem se deu na Grécia  com  a  palavra logistiki (λογιστική),  significando  contabilidade  e  organização financeira. Em francês, loger significa apenas alojar ou acolher.

Muito além das nomenclaturas, a Logística destacou-se, inicialmente, como a ciência da movimentação, suprimento e manutenção de forças militares e, posteriormente, foi usada para especificar a gestão do fluxo de materiais numa organização, desde a matéria-prima até o feedback do cliente sobre o produto final.

Atualmente, tornou-se parte essencial nas empresas, onde responde pela gestão dos materiais,   administra   recursos   financeiros,   planeja   a   produção,   o   armazenamento, transporte e distribuição. Sua complexidade culminou em desdobramentos que hoje são conhecidos como:

- Logística Reversa;

- Logística Integrada;

- Logística Militar (Intendência); e

- Logística Humanitária.

Dentro das diferentes formas de atuação, podemos definir que a Logística Humanitária tem aspectos bem definidos e peculiares, principalmente por ter como objetivo a minimização do sofrimento de pessoas que se encontram em estado psicológico e físico vulneráveis, em meio a um ambiente extremamente comprometido.

Características da Logística Humanitária


"A operação humanitária bem sucedida alivia as necessidades  urgentes  de uma população permitindo uma redução significativa da sua vulnerabilidade no mais curto espaço de tempo e com a menor quantidade de recursos" (Van Wassenhove, 2006, p. 480)

Na logística empresarial, iniciam-se as atividades com o planejamento de acordo com dados previamente obtidos, com isso, pode-se dimensionar a necessidade em estrutura e recursos para atender a meta estipulada. Contudo, em um processo de desastre nem sempre é possível ter uma estruturação adequada e pronta para receber os recursos assim que se inicia uma ocorrência e é pela vertente da Logística Humanitária que podemos integrar conhecimento dos demais desdobramentos logísticos e gerar resultados eficazes.

Podemos definir algumas das principais características da logística humanitária como:

 O  tipo  de  ocorrência  gerado  pelos  desastres,  normalmente  exige  uma  resposta imediata apesar da falta de informações sobre a situação;
 Normalmente temos que implantar o centro logístico em meio ao processo sem uma estruturação prévia e juntamente com a chegada de recursos doados, de voluntários e até mesmo de vitimas da ocorrência solicitando apoio;
 As  infraestruturas  locais,  dependendo  da  ocorrência,  encontram-se  danificadas, dificultando o trabalho para garantir a segurança e qualidade dos recursos doados;
 Tendo como maiores fornecedores, pessoas físicas que ao doarem recursos não enviam informação prévia de envio e especificação de carga como: tipo de produtos, quantidade, embalagem, estado de conservação dos itens, data de validade, entre
outras informações;
 Na estruturação dos armazéns é necessário adaptar locais que nem sempre são criados pra esta finalidade, e na maior parte temos dificuldades na disponibilidade de equipamentos e recursos para auxiliar nas funções a serem desenvolvidas;
 Os  recursos  humanos  necessitam  de  uma  atenção  maior  na  implantação  do processo,  pois  a  maior  parte  das  vezes  existe  um  excesso  de  voluntários  sem formação ou sem conhecimento, movido puramente pela emoção; e
 Tempo também é um fator determinante e qualquer minuto a mais pode significar a perda de uma vida.





Logística na Defesa Civil Brasileira.

De acordo com dados divulgados no fim de 2011, na página da Organização das Nações Unidas (ONU), baseados na pesquisa realizada pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Desastres (UNISDR) e o Centro de Pesquisas de Epidemiologia em Desastres (Cred), onde 51 milhões de brasileiros foram impactados por catástrofes, e 90% dos desastres estão relacionados ao clima. Nesta pesquisa, o Brasil é o único país das Américas a aparecer entre os 10 países do mundo com maior número de afetados por desastres nos últimos 20 anos.

A logística humanitária, assim como o conceito de ações de assistência às vitimas segundo o  manual  da Defesa Civil  Brasileira,  define ações  destinadas  a garantir condições de integridade e de cidadania aos atingidos, incluindo o fornecimento de água potável, a provisão e meios de preparação de alimentos, o suprimento de material de abrigamento, de vestuário, de limpeza e de higiene pessoal, a instalação de lavanderias, banheiro, apoio logístico às equipes empenhadas no desenvolvimento dessas ações, a atenção integral à saúde, ao  manejo  de mortos,  entre outras  estabelecidas  pelo  Ministério  da  Integração Nacional. O decreto nº 7.257 de 4 de agosto de 2010 regulamenta a medida provisória nº
494  de 2  de julho  de  2010  que dispõe sobre  o  Sistema Nacional  de  Defesa Civil  – SINDEC, o reconhecimento de situação de emergência e estado de calamidade pública, sobre as transferências de recursos para ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução nas áreas atingidas por desastre.


Em seu artigo 5o, descreve que o SINDEC (Sistema Nacional de Defesa Civil) é composto pelos órgãos e entidades da União responsáveis pelas ações de defesa civil, bem como pelos órgãos e entidades dos Estados, Distrito Federal e Municípios que a ele aderirem. E segundo o § 9o,define que em situação de emergência ou em estado de calamidade pública, o SINPDEC (Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil) coordenará o apoio logístico para o desenvolvimento das ações  de defesa civil e poderá mobilizar a sociedade civil para
atuar neste processo. As ações de ajuda humanitárias internacionais realizadas nos demonstram que, em circunstâncias de desastres, em todo o mundo, se revela uma imensa dimensão de solidariedade e de altruísmo reagindo positivamente, participando ativamente em atividades individuais e/ou em campanhas de arrecadação de donativos.

Os Órgãos Municipais de Proteção e Defesa Civil são responsáveis pelo planejamento, articulação, coordenação, mobilização e gestão das ações no âmbito do município, e deve desenvolver projetos e programas em todas as etapas do ciclo de gestão. Na etapa de preparação  que  tem  por  objetivo  minimizar  os  efeitos  de  desastres,  uma  das  suas atribuições é a criação de medidas de coordenação das operações e elaboração da logística de apoio. Na implantação das unidades, existem requisitos mínimos para a formalização do órgão nos casos de municípios de médio e grande porte exige-se a implantação de área específica com a de minimização de desastre que é composta por dois setores: um de prevenção de desastre e outro de preparação para emergências e desastres. Neste, tem como uma das suas finalidades, o plano de contingência, ou seja, a catalogação de todas as disponibilidades logísticas e de recursos humanos, formalizando uma estratégia de enfrentamento de desastres.



Figura 1 – Ciclo de gerenciamento de desastre (Fonte: Tobin e Montz, 1997)

O Processo


Analisando a ocorrência e as possíveis ações iniciadas, geram-se dados para que possamos iniciar a implantação da metodologia que será responsável pelo processo de ajuda humanitária. Então, nesta etapa, normalmente divide-se em duas ações paralelas:




1.1.         Estruturação ou Reestruturação (nos casos de situações onde a resposta se inicia antes da metodologia logística) de armazenagem, onde distribuem os recursos doados  em  uma  estrutura  física  que  será  utilizada  para  a  sua  estocagem,  e adequando-a. Criação de um layout operacional, que distribuirá os recursos em três áreas:
a) Gênero alimentício, água, leite;
b) Calçados, Materiais de limpeza, Materiais de Higiene;
c) Roupas, Roupa de Cama, Mesa e Banho, Papel Higiênico;



1.2.        Processo  administrativo  e  fluxo  de  informações  (tanto  do  recebimento quanto  da  distribuição  destes  donativos),  onde  implantam  recursos  de  controle através de formulários, e dividimos por setores como:
a) Recebimento  de  cargas  doadas:  tanto  cargas  fracionadas  que  chegam individualmente, quanto aquelas que chegam em grande volume;
b) Expedição de cargas: para vítimas no intuito de minimizar suas necessidades básicas ou para instituições e organizações;


Na estruturação do processo de gestão dos recursos, é importante atentar no desenvolvimento e empregabilidade de embalagens para melhor acondicioná-los, e assim criarmos uma estrutura que minimiza o desperdício. Sabendo, que em algumas situações é necessário criar recursos similares as existentes, mas devemos lembrar que esta ação é importantíssima para a garantida da qualidade e eficiência do processo. Então nestes processos são desenvolvidas ações como:




Fotografia 1 – Estocagem dos recursos doados no Centro de Convenções em Mariana/MG - 2015;




1.           Gêneros alimentícios e leite;
a. São paletizados para que não tenha contato com o solo frio, minimizando a possibilidade de contaminação e agilizando a limpeza da área;
b. Seguimos  as  recomendações  de  seus  fabricantes  em  seu  empilhamento, ganhando espaço para sua estocagem;
c. Empregando sistema de análise da validade para que os mais próximos do vencimento saiam primeiro;



2.           Água:
a. Empilhar respeitando marca e tipo de embalagem, e utilizado papelão e/ou madeiras para auxiliar no empilhamento de forma coerente;



3.           Calçados:
a. Devem ser triados e divididos por sexo e tamanho em caixas e/ou boxes, assim facilitava na reposição dos bazares conforme a sua necessidade;



4.           Material de Higiene e Limpeza:
a. Estocados em caixas próprias, ou quando em granel, acondicionadas em caixas para facilitar seu empilhamento facilitando na organização;



5.           Roupas:
a. Estocadas em sua embalagem inicial, e assim que triadas, embaladas em sacolas por sexo, tamanho e tipo de produto, assim facilitava na reposição dos bazares conforme a sua necessidade;
b. Utilização  de  Big  Bags  para  criação  de  embalagens  de  maior  volume, facilitando assim na organização e minimizando qualquer risco de perda;



6.           Roupas de cama, cobertores, travesseiros:
a. Empilhadas dobradas, embaladas e separadas por tipo após sua triagem, e em sua estocagem, forra-se os chãos para eliminar o contato com o solo;

A implantação do layout operacional acarreta maior organização, praticidade e higiene, mas para planejar e tomar decisões é necessitamos de informações embasadas que expressem   as   ações   do   processo,   então   podemos   afirmar   que   os   formulários administrativos introduzidos, automaticamente proporcionam informações para o desenvolvimento do banco de dados (seja digital ou físico). E ao decorrer dos trabalhos, haverá adequações e/ou modificações de acordo com a redução dos itens estocados, e novas necessidades que possam surgir.

São adotadas medidas preventivas de segurança e transparecia, onde são convidados integrantes de instituições governamentais, não governamentais, da sociedade ou e principalmente representantes das vitimas, seja por meio de comissão, ou por representantes. Assim integram um conselho de apoio e finalização, auxiliando diretamente no  diálogo  com  as  vítimas,  na transparência e  no  controle das  ações,  gerando  maior praticidade, e principalmente, contribuindo na boa relação entre o Centro de Distribuição, doadores, os órgãos e as vítimas. A integração e o atendimento multidisciplinar, com conhecimentos  variados  contribuem  no  atendimento  humanizado  e  coeso  de abastecimento, suprindo plenamente todas as necessidades das vitimas, seja em questões alimentares, ou seja, nas questões de saúde, moradia, trabalho, jurídico, e quaisquer outra demanda necessária para suprir e minimizar o impacto gerado pelo desastre. A maior ação neste processo é a integração em prol das vítimas, deixando de lado suas bandeiras e tornando peças de uma engrenagem visando a real intenção da ajuda humanitária, de forma eficaz e íntegra.

“A ausência de toda discriminação por motivo de religião, nacionalidade, raça, opinião política ou qualquer outro critério semelhante, dando prioridade às vítimas que tenham necessidades mais urgentes” (LUQUINI, 2003).


Metodologia


A Logística no processo de ajuda humanitária tem como base uma fusão entre os conceitos adotados pela logística militar (Intendência), onde tem como finalidade as atividades de suprimentos (alimentos, água, fardamento, equipamentos, e outros) e transporte nas mais diversas circunstancias, juntamente com os métodos adotados em Indústrias que envolvem integração de informação, transporte, estoque, armazéns, manuseio e embalagem, respeitando o conceito de cadeia de suprimentos.

Uma vez que envolve processos e funções integradas de maneira holística desde doador e demandas até o abastecimento/entrega do produto ao cliente final, objetivando fazer com que produtos estejam disponíveis onde for necessário, sendo direcionados diretamente às famílias,  ou  em  pontos  logísticos  mais  próximos,  que  atuariam  como  centros  de distribuição secundários, repassariam os donativos às vítimas ao seu entorno.

Características de implantação do processo:




As características de implantação do processo logístico de ajuda humanitária são:

 Infraestrutura  física:   Montagem   de  um   Centro   de  triagem,   estocagem   e distribuição de donativos, além do acolhimento para minimizar o impacto gerado pela ocorrência.
 Recursos de estocagem: Utilizamos Pálete, Big Bags, Madeiras, sacolas plásticas de diversos tamanhos, barbantes, fitas adesivas, entre outros recursos para acondicionamento e estocagem;
 Recursos Humanos: Normalmente nas operações o maior número de mão de obra é oriunda do serviço voluntário.
 Donativos:  Através  de  campanha,  onde  resultam  doações  de  diversos  órgãos, instituições  e  pessoas  físicas,  e  ao  chegar  são  cadastrados  e  triados  para  serem
estocados e, posteriormente, distribuídos.

Armazenagem


Após o preenchimento do Cadastro de Doador, onde é verificada a quantidade de cada item por seguimento (vestuário, higiene etc.), deve direcionar os materiais ao setor de estocagem, onde um conferente se responsabiliza pelo recebimento dos recursos, controle e acondicionamento do item em seu local correspondente. Para a organização setorial são designados lideres, com isso os materiais são estocados de forma correta seguindo as exigências de acondicionamento, reduzindo perdas e danos, além de agilizar o processo.



Fotografia 2 – Recebimento de doações em Vitória/ES - 2013;


Gestão de donativos


Um grande volume de doações é enviado para os centros de recebimento de donativos imediatamente após ser divulgada a informação da ocorrência de um desastre, criando um pico de recebimento. Por esta razão, quanto mais rápido obtiver os dados das necessidades das vitimas e equipes e assim poder divulgar aos possíveis doadores, será melhor para o planejamento  e  estruturação  de  um  processo  mais  eficaz.  É  difícil  prever  todas  as

necessidades  em  um  processo  de  ajuda  humanitária,  pois  há  várias  fases  durante um desastre,  e  cada  uma  destas  fases  exigirá  diferentes  ações  para  corresponder  às necessidades que surgem durante esse período.

Os centros de distribuição são os pontos de contato direto com todos os envolvidos no desastre, e alguns centros de distribuição podem se assemelhar a um brechó. No entanto, apenas as famílias afetadas pelo desastre devem ser autorizadas a remover itens para necessidades pessoais em seu primeiro momento. Na maioria das operações, os centros de distribuição funcionam apenas durante a fase emergencial, mas podendo atuara no período de recuperação, dependendo da necessidade. No planejamento da distribuição destes recursos é imprescindível a entrega imediata, mas sem perda do controle dos recursos para que haja o suficiente para atender as vítimas até que tenham sua independência social e financeira. Assim sendo necessário um controle minucioso dos itens estocados e do andamento dos atendimentos as vitimas.









Fotografias 3 e 4  – Setores de atendimento às vítimas em Mariana/MG - 2015;

No recebimento de donativos, devemos ser seletivo com as mercadorias doadas através de uma triagem muita bem criteriosa, a fim de segregar os recursos sem condições de uso ou que possa afetar a segurança ou a saúde de quem o receber. E quando estivermos já com a quantidade ideal para atender nosso público alvo, não devemos ter problemas em dizer: "Não.", porque devemos ser justos e conscientes com donativos para que não haja desperdício ou que afete a distribuição para outras localidades com necessidades semelhantes. O ideal seria se os doadores fizessem parte deste processo de forma mais integrada, onde ao doar tenha informações para enviar apenas o que realmente será necessário,  além  de  enviar  recursos  em  boas  condições,  limpos  e  prontos  para  ser utilizadas. Devem se pensar que estão enviando para locais com diversas dificuldades para reparo, lavar, e com diversas outras dificuldades. Essas medidas são para roupas, calçados, cobertores, e outros recursos de tecido ou que possam ser reparados, já no caso de alimentos, devemos ver data de validade e condições da embalagem, porque ao enviar recursos danificados ou sem condição de uso estarão prejudicando uma etapa do processo de ajuda humanitária.

Normalmente na distribuição dos donativos é adotados kits para melhor atender as demandas e facilitar na estocagem e utilização por parte de quem o recebe. Nos produtos como hortifrúti, frutas e verduras que precisavam de um consumo mais rápido e exige um

local  adequado  para sua estocagem,  são  direcionados  para  a alimentação  das  equipes envolvidas quando existem a produção de alimentos no próprio local ou são repassadas a instituições que poderão aproveitar sem perda dos mesmos.

Infraestrutura do CLH (Centro logístico Humanitário)


Em muitos casos, na implantação do centro logístico humanitário não poderá exigir um grande armazém, embora a estocagem adequada seja fundamental para todas as ações de apoio e recuperação. No processo, o armazém é usado para receber os suprimentos e itens em geral, além de triagem e distribuição. Porém, a área de estocagem, manuseio e triagem geralmente não é aberto ao público.

Na busca de estrutura para a implantação do armazém há várias questões a ser analisada como:

- Localização;

- Acesso;

- Tamanho;

- Estrutura; e

- Segurança.




Os custos operacionais também devem ser analisados, incluindo a locação (se houver), manutenção, segurança e recursos necessários para o processo. Ao escolher o armazém, deve ser criadas docas de descarregamento e carregamento. Para determinar a sua responsabilidade é importante levar em consideração a estrutura, equipamentos e pessoal que terá disponível para desempenhar seu papel.

A montagem da estrutura física normalmente é desenvolvida em um processo em andamento, portanto fica a cargo da logística a reestruturação do processo de assistência as vitimas, observando as características peculiares de cada produto, gêneros e embalagens, além das exigências determinadas pelo fabricante para a estocagem. Respeitando as necessidades, e defendendo a funcionalidade do armazém, são introduzidos embalagens e recursos para o acondicionamento dos itens como:

- Big Bags;

- Caixas de papelão e madeira;

- Páletes;

- Folhas de madeiras; e

- outros.

Para agilizar a movimentação interna e evitar o risco de contaminação, são implantados lotes, quadras e ruas, criando assim setores por categoria de recursos, onde normalmente é dividido por categorias:

- Recursos Não Perecíveis;

- Recursos Perecíveis;

- Água potável;

- outros.

Mobilidade


Função responsável de conduzir suprimentos para onde ele haja demanda, e cuja estratégia deve prever não apenas os meios necessários, mas também formas e alternativas para a entrega rápida e segura até áreas vulneráveis da região atingida. E este processo fará um papel importante na coleta de dados e informações para o planejamento de ações tanto de abastecimento, quanto na mobilidade de pessoal em caso de evacuações ou condução de equipes técnicas de atendimento às vitimas alojadas em locais afetados, dependendo da magnitude da ocorrência e o grau de vulnerabilidade da área atingida. Tornando a distribuição de produtos e a gestão dos transportes uma peça fundamental.

Além da movimentação de recursos materiais e pessoas, existe a mobilidade interna entre armazéns, quando os recursos tendem a ser divididos em mais locais de estocagem, quando temos falta de área ou estrutura para estocagem.


Distribuição


Na elaboração das ações o principal objetivo está em levar assistência a pessoas afetadas pelo desastre ou instituições envolvidas, assegurando o acesso a recursos e/ou serviços essenciais, evitando excesso, falta ou desperdício. Mas para que seja realizada, contamos com  diversos  dados  vindos  de  setores  e  instituição  ligada  ao  processo  de  ajuda humanitária, tendo como base fundamental para os atendimentos, o fluxo de informações com setores governamentais com: dados de localidades, atingidos, riscos, danos, entre outros.

Os dados gerados no processo logístico refletem todos os aspectos da operação, assim podemos calcular o público alvo, e consequentemente, qual seria a melhor linha a ser adotado a partir da quantidade de atingidos e de recursos estocado, sem poder deixar de levar em consideração o tempo de duração das operações de estocagem e abastecimento até que as famílias tenham sua independência financeira e/ou assentadas em moradias. Mas também devem ser levados em consideração os perfis das famílias que serão atendidas, porque além da distribuição ser extremamente dinâmica, os fatores determinarão as demandas onde influenciam na forma de planejar a distribuição.

A distribuição tem o papel de suprir a demanda das vitimas, mas também auxilia na rotatividade do armazém que necessita deste fluxo para liberar área para a chegada de

novos produtos, e para eliminar a possibilidade de perda de recursos estocados devido a sua data de validade. Portanto, ao implantar o fluxo de abastecimento fará seu estoque ter maior rotatividade.

Muitas vezes, mesmo atendendo todas ás vitimas ainda se tem recursos em seus armazéns, então, remanejamos os recursos para outros municípios que possam ter sido atingidos e/ou demais famílias em vulnerabilidade social, tendo em vista que atendeu todo seu público alvo de forma satisfatória, e assim permitirá auxiliar outros municípios afetados, onde comprove e faça contato prévio para confirmação de atingidas e possa informar a demanda para o atendimento das suas necessidades.






Fotografia 3 – Conferencia de cestas para envio às vitimas de cidades atingidas no estado do Espírito Santo - 2013;




Repasse de carga para órgãos públicos e/ou instituições de finalidades especifica


Os recursos expecificos de demandas infantis ou que necessitem de maiores cuidados como: mistura para mingau, leites especiais, devem ser destinadas a programas ou instituições de atenção nutricional especializada, e neste caso, além da distribuição as famílias recebem atendimento nutricional. Nos casos de medicamentos recebidos junto com os materiais relacionados a saúde, devem ser estocado preferencialmente por profissionais capacitado na área farmacêutica, mas normalmente são repassados as secretárias municipais de saúde ou instituições voltadas para atendimentos médicos envolvidas no processo.

O mesmo é adotado a recursos para utilização com animais como: medicamentos, rações, vasilhas,  entre  outros  itens  que  devem  ser  administrados  por  profissionais  da  área veterinária  ou  repassados  a  órgãos,  instituições  ou  departamentos  do  setor  público (Zoonose, Vigilância Sanitária, Canil ou ONG”s) direcionadas a trabalhos com animais para que sejam estocados e empregados de forma correta evitando perda ou utilização indevida.

Mas todos os repasses, por mais que seja a unidades interligadas, devem seguir mediante solicitação por escrito e registrado.


Descarte


Os donativos são fundamentais para atender as demandas das vitimas, minimizando seu sofrimento dando meios para recomeçar, além de suprir possíveis necessidades. Mas em meio de tantos recursos que chegam aos pontos de recebimento de donativos, também vão materiais  danificados,  vencidos,  ou  sem  condições  de  uso.  Nestes  casos,  devem  ser adotadas medidas para seu descarte assim diminuindo a possibilidade de contaminação dos demais produtos ou até mesmo daqueles que o receberem.

As embalagens servem para proteger os alimentos e quando alteradas podem permitir a contaminação. Portanto, devem ser descartadas segundo normas dos órgãos como a ANVISA que são de não utilizar alimentos com embalagens amassadas, estufadas, enferrujadas, trincadas, furadas, abertas e com outros sinais de alteração. E nas embalagens transparentes, que permitam visualizar seu conteúdo, observar se os alimentos apresentam alteração na cor, no aspecto e se há presença de matérias estranhas. Os alimentos não perecíveis são aqueles que possuem tempo de durabilidade longo e não exigindo uma temperatura especifica, podendo ser armazenados à temperatura ambiente. Mas isso não significa não ter atenção em sua estocagem e preocupar-se apenas com prazo de validade, devendo analisar seu estado físico e ter certeza que estão aptos para o consumo, sendo assim, analisar se há qualquer alteração em sua embalagem e no próprio alimento atentes de sua estocagem ou na distribuição.


No caso dos eletrônicos, eletrodomésticos, e moveis que estão sem condição de uso, mas que  são  doados  para  os  centros  logísticos  humanitários,  deve  ser  encaminhado  a instituições de reciclagem. Já as roupas e calçados que são separadas após sua triagem para serem descartadas, por estarem sem condições de uso e que afetariam diretamente a saúde das famílias que a receberiam, devem ser descartadas. Porem, em algumas circunstâncias podem ser adotadas medidas para reduzir o número de itens recusado, que através de parcerias com instituições que possuam fazer a manutenção e conserto de recursos que precisam apenas de  reparo para serem reaproveitados, e em algumas peças necessitam que seja lavada, pois este tipo de trabalho se torna muito dificultoso em um armazém de estocagem e distribuição em meio a um processo de desastre, sendo inviável devido a área, mão de obra, tempo e recursos para restaurar os materiais e serem distribuído.


Gestão de Recursos Humanos


Shin e Kleiner (2003) definem como voluntário qualquer pessoa "que se oferece a um serviço sem uma expectativa de compensação monetária". As razões pelas quais as pessoas se voluntariam, são a possibilidade de crescimento pessoal, reconhecimento, realização, e um desejo de contribuir para a sociedade são alguns dos fatores que movem pessoas para a atuarem neste tipo de trabalho (Bussell e Forbes de 2002, Allison et al., 2002, Cnaan e Goldberg-Glen, 1991).

Os voluntários desempenham um papel vital na prestação de assistência em situações de ajuda humanitária, então devem ser inicialmente cadastrados e apresentados as normas e as atribuições que exercerão no processo, e com assim, direcionados aos respectivos setores,

assim suprindo as demandas. O cadastramento e a divisão operacional respeitando qualificações e experiências profissionais de acordo com as necessidades são importantíssimas para que as ações sejam desenvolvidas de forma satisfatória, mas também para a motivação daqueles que se disponibilizam a auxiliar nos trabalhos de ajuda humanitária, e assim aproveitando ao máximo as qualificações de cada indivíduo.

"Os responsáveis da logística no campo muitas vezes não são profissionais treinados, mas desenvolveram suas  habilidades  no  trabalho.  iniciativas  de capacitação baseada em competências e mecanismos precisam ser desenvolvidas e apoiadas, para que as habilidades dos operadores de logística humanitários e conhecimentos são elevados a níveis mais profissionais... "(Gustavsson, 2003).

Segurança do Trabalho e qualidade do serviço


O uso dos equipamentos e medidas de segurança são fundamentais para garantir a saúde e a proteção da equipe envolvida nos trabalhos, evitando consequências negativas em casos de  acidentes  de  trabalho.  Além  disso,  também  é  usado  para  garantir  que  não  sejam expostos a doenças, que podem comprometer a capacidade de trabalho e influenciando na saúde.

Portanto, são adotadas medidas onde todos utilizem calçados fechados, calça comprida, luvas e máscaras para prevenirmos doenças infecto contagiosas e dermatoses.

Controle de informações e banco de dados


É importante estabelecer um plano de implantação das operações, descrevendo as tarefas envolvidas, com metas e responsabilidades para as ações, e determinando como o sistema de controle irá operar. O desenvolvimento de tecnologias e recursos de auxilio para o fluxo de informações operacionais são fundamentais,  proporcionando meios para tomada de decisões e podendo ajudar a resolver algumas das deficiências em um processo de ajuda humanitária. Mas também é importante ter um sistema que possa ajudar na administração dos voluntários.

Ao implantar recursos de controle e coleta de dados, os formulários para cadastramento de recebimento e expedição de donativos têm um papel muito importante, onde contribui no registro físico de movimentação auxiliando no gerenciamento das operações. Então, tornando instrumento no planejamento das ações futuras e contribuirá diretamente na tomada de decisões.

As Listagens de vitimas são de suma importância para todo o processo, não apena no planejamento, mas também para o atendimento as vítimas, pois todos que são atendidos devem  constar  em  no  cadastramento  realizado  pela  Defesa  Civil  ou  pelos  órgãos autorizados para esta finalidade. Este cadastramento de vitimas costuma ser cruzada com dados  de  instituições  de  serviços  públicos  como  saúde,  educação,  habitação,  energia

elétrica, e outros para que possam ser confirmados e proporcionem meios de dimensionar a proporção do abalo sobre a família.




Conclusão


Nos últimos anos, a logística humanitárias ganhou maior visibilidade em gerenciamento de operações.  Em  uma  entrevista,  um  porta-voz  da  instituição  Médicos  Sem  Fronteiras sugeriu que "o que é necessário são de gerentes de abastecimento sem fronteiras: Pessoas para a triagem bens , definir prioridades, rotas de entregas, e direcionar os esforços de ajuda formando uma engrenagem completa" (Russell 2005 citando The Economist Agenda global em 5 de Janeiro 2005).

A logística humanitária constitui da integração de diversos atores e ações, que unidas de forma  coesa  e  harmônica  em  um  processo  competente  e  íntegro,  sem  interferências externas, priorizando a vida e proporcionando dignidade às vítimas em seu recomeço. A integração de forças e instituições não apenas mostra que juntos podem mais, mas também que em um processo de desastre todos devem lutar por um mesmo objetivo.

Mas  os  trabalhos  não  se  limitam  ao  abastecimento,  devendo  continuar  auxiliando  as famílias em diversas frentes, tais como: na saúde, na reestruturação psicossocial, na reinclusão no mercado de trabalho, vistoria de imóveis e garantia de segurança. Ações estas que devem ser desenvolvidas simultaneamente, e nos casos daqueles que não terão condições de retornar aos seus lares, buscar meios para uma nova moradia digna.




Bibliografia


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